Fazendo uma analogia simples e sucinta, podemos comparar a lubrificação com graxas a uma esponja.

As fibras da esponja são como os espessantes das graxas e o óleo o elemento lubrificante que está retido nas fibras da esponja.

Quando sujeito a pressão, rotação, temperatura, ou outra forma de trabalho/esforço, a esponja libera uma quantidade de óleo para realizar o filme lubrificante. Além de fornecer lubrificação, a graxa também serve como vedante, afim de evitar contaminações no equipamento.

A IMPORTÂNCIA DE UMA GRAXA DE QUALIDADE EM DIAS FRIOS

Sendo o óleo contido na graxa, um elemento de extrema importância para formação do filme lubrificante. Este óleo precisa estar disponível para chegar ao ponto de lubrificação quando acionado, aqui entra em ação o Índice de Viscosidade (IV) e o Ponto de Fluidez.

  •  Índice de Viscosidade (IV): É um número adimensional (não possui unidade) que expressa a variação da viscosidade, com a variação da temperatura. Óleos de qualidade elevada, possuem Índice de Viscosidade (IV) elevados, ou seja, mesmo com variação de temperatura mantém a qualidade do filme lubrificante. Um exemplo é que óleos sintéticos apresentam Índice de Viscosidade (IV) maior que óleos minerais.
  • Ponto de Fluidez: É a menor temperatura em que um lubrificante flui, em comparação com óleos minerais, óleos sintéticos também apresentam um melhor ponto de fluidez. Consequentemente, óleos sintéticos possibilitam a partida dos equipamentos mesmo em temperaturas negativas, ao mesmo tempo em que fornecem fluidez e bombeabilidade suficiente para chegar nos pontos de lubrificação.

QUALIDADE DO ESPESSANTE DA GRAXA, “ESPONJA”.

Mesmo a graxa possuindo o melhor óleo, de nada adiantara se esse óleo não for dosado de forma correta e na ocasião certa.

Por isso a importância dos espessantes, são eles que liberam de forma assertiva o óleo, à medida que é exigido. Pois se houver uma liberação demasiada de óleo a graxa ficara seca, deixando o equipamento com um filme lubrificante insuficiente, ao contrário, se ocorrer baixa liberação de óleo, o filme lubrificante também será comprometido.

Cabe ao espessante liberar ou absorver o óleo, isto é a tecnologia da graxa, isto é o diferencial quando se trata de lubrificação em condições adversas e extremas.

Uma das graxas com maior desempenho nestas condições de temperaturas extremas é uma graxa com espessante de Complexo de Sulfonato de Cálcio e óleo Sintético.

A geometria da molécula do Complexo de Sulfonato de Cálcio, absorve muito bem impactos e forças cisalhantes, liberando óleo na quantidade necessária e oferecendo bombeabilidade constante. Graxas espessadas com Complexo de Sulfonato de Cálcio possuem o menor grau de separação de óleo, quando comparadas a graxas espessadas com sabão de lítio, complexo de lítio e poliureia (espessante inorgânicos).

Já o óleo sintético permite um filme lubrificante em baixíssimas temperaturas, seu elevado Índice de Viscosidade (IV) suporta as mais diversas variações de temperatura.

Por isso algumas graxas falham no inverno e graxas com elevada tecnologia garantem lubrificação constante o ano todo.

Mario Alves
Engenheiro Químico – MecFlux